Desafios da Missionaridade com Pe. Jaime Pathias que ocorreu nos dias 14,15 e 16 de maio de 2015

No dia 14 de maio, 115 pessoas (padres, religiosos e leigos) dos vicariatos de Guaíba, Canoas e Gravataí se reuniram no Seminário São José-Gravataí, para refletir sobre a urgência pastoral da Igreja em estado permanente de missão. O encontro foi promovido pela Animação Bíblico-missionário da Arquidiocese de Porto Alegre e assessorado pelo Pe. Jaime C. Patias, da Pontifícia União Missionária. Nos dias 15 e 16 a formação foi para os padres, religiosos e leigos de Porto Alegre, no Centro de Pastoral. Os cenários da atualidade nos provocam repensar uma missão que abrange a realidade toda, para que seja sustentada por: (1) uma apropriada reflexão teológica, (2) uma conversão interior, (3) uma clareza de horizontes e (4) uma ousada ação evangelizadora. Deus é Missão. A nossa vida é missão quando comunica o amor de Deus.


 







Dia 15 de maio-8h30min às 16h-Centro de Pastoral-Porto Alegre

Para: Clero e Religiosos do Vicariato de Porto Alegre

Dia 16 de maio - 8h30min às 11h30min - Centro de Pastoral -Porto Alegre

Para: Clero e leigos referenciais das Paróquias

DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS DA MISSÃO PARA A IGREJA LOCAL
Pe. Jaime Carlos Patias, IMC, Pontifícia União Missionária.
Apontamentos extraídos das orientações para a animação missionária da Igreja no Brasil elaborado pelo Conselho Missionário Nacional (Comina). 
Missão e Cooperação Missionária 
Recentes documentos da Igreja e o Papa Francisco propõem colocar todas as atividades de evangelização em chave missionária. Essa tarefa faz parte da identidade e natureza da vida cristã. 
1. Os fundamentos da missão
O Concílio Vaticano II definiu “a Igreja peregrina” como “missionária por natureza” (AG 2): essa é sua vocação própria, sua identidade mais profunda (cf. EN 14), sua razão de ser, sua essência estruturante e seu serviço à humanidade (cf. DP 1145; RMi 2). Portanto, a Igreja é chamada a estar “em saída” como o seu Senhor que “sabe ir à frente, sabe tomar iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos” (EG 24). 
O mandato missionário que a Igreja recebeu do Ressuscitado, ao longo do tempo assumiu formas e modalidades sempre novas conforme os lugares, as situações e os períodos históricos. A tarefa missionária continua a mesma confiada por Jesus aos discípulos, contudo, o anúncio do Evangelho parece muito mais complexo hoje do que no passado, porque a humanidade está vivendo uma época de profundas transformações (cf. DGAE 2011, 25; EN 17). Os cenários da atualidade nos provocam repensar uma missão que abrange a realidade toda, para que seja sustentada por: 
(1) uma apropriada reflexão teológica, (2) uma conversão interior, (3) uma clareza de horizontes e (4) uma ousada ação evangelizadora.
A Igreja precisava repensar sua ação evangelizadora no mundo, sem perder seu fundamental dinamismo missionário e, principalmente, suas motivações essenciais. De fato, a dimensão universal do anúncio do Evangelho está baseada na proclamação de um único e verdadeiro Deus para todos, e na adoção de meios específicos para a salvação, como os sacramentos e a pertença à Igreja. Em torno da afirmação desses dois conceitos chaves, a missão ad gentes encontra sua razão de ser (cf. RMi 9), isso, porém, “não significa que a salvação se destina apenas àqueles que, de maneira explícita, creem em Cristo e entram na Igreja” (RMi 10). O anúncio é para todos.

2. Fundamentos trinitários
Os cenários da atualidade nos provocam repensar a missão em sua totalidade, para que seja sustentada por uma apropriada reflexão teológica, uma conversão interior, uma clareza de horizontes e uma ousada ação evangelizadora.
Uma renovada visão eclesiológica e missiológica, inaugurada há 50 anos pelo Concílio Vaticano II e suas Constituições Lumen gentium e Gaudium et spes e pelo Decreto Ad gentes mostra que a missão não é uma atividade da Igreja, mas é uma essência que tem origem no amor fontal do Pai, um amor que não se contém, que transborda, que se comunica e sai de si por sua própria natureza missionária (cf. LG 5; 8; 17; AG 2; DAp 129; 347). 
Esta missão de Deus se manifestou de maneira definitiva com o envio do Filho amado, o Verbo feito carne (cf. Jo 1,14) “que por nós se tornou pobre, enriquecendo-nos com sua pobreza” (AG 3). Ele “quer comunicar-nos a sua vida e colocar-se a serviço da vida” (DAp 353). 
Para realizar seu plano de amor, a missão de Deus se revela sobretudo no dinamismo, na efusão e no protagonismo do Espírito Santo, que “já atuava no mundo antes da glorificação de Cristo” (AG 4). Presente na vida de Jesus desde sua concepção (cf. Lc 1,35), durante todo o seu ministério (cf. Lc 4,18), até ser entregue pelo Ressuscitado aos discípulos (cf. Jo 20,22), é o Espírito que suscita a fé (cf. 1Cor 12,3), descendo também sobre os pagãos (cf. At 10,47) e dirigindo a missão da Igreja aos povos (cf. At 16,6-7).

3. Conversão eclesial para uma Igreja “em saída”
A partir dos fundamentos trinitários a missão se torna para a Igreja não mais uma atividade entre outras, mas participação na vida divina, o que lhe confere sua identidade. “A Igreja é por sua natureza missionária” (AG 2): a Igreja “é” ao ser enviada, ela se edifica para a missão. Portanto, não é a missão que procede da Igreja, mas é a Igreja que procede da missão de Deus. Os Atos dos Apóstolos mostram com clareza que a Igreja se constitui na medida em que, aos poucos, assume a missão ad gentes. A missão gera a Igreja. 
Consequentemente, “a Igreja necessita de forte comoção que a impeça de se instalar na comodidade, no estancamento e na indiferença, à margem do sofrimento dos pobres do Continente” (DAp 362). A conversão pastoral e a renovação missionária da qual fala o Documento de Aparecida, refere-se substancialmente a reencontrar uma saída: “trata-se de sair de nossa consciência isolada e de nos lançarmos, com ousadia e confiança, à missão de toda Igreja” (DAp 363), abandonando estruturas caducas (cf. DAp 365), transformando as pessoas (cf. DAp 366), assumindo relações de comunhão (cf. DAp 368), adotando práticas pastorais missionárias (cf. DAp 370) e projetando-se além-fronteiras (DAp 376). 
Por isso, o envio missionário é expressão de uma alegre disposição, abertura, liberdade, para além de todas as barreiras. Um modelo de Igreja excessivamente rígido, fechado e autorreferencial não é apto para a missão. 
4. Os horizontes da missão
Os horizontes deste movimento de proximidade são sempre geográficos e escatológicos: os confins da terra e o fim do tempo. Crer no Evangelho e na missão é crer que não existem fronteiras irredutíveis para encontrar as pessoas. 
A missão, enquanto elemento estruturante da identidade e da atividade de toda a Igreja, se expressa hoje num quadro complexo de situações e de interlocutores que não permitem mais interpretá-la unilateralmente. Antes de tudo, indica uma dinâmica paradigmática capas de colocar em chave missionária toda a atividade habitual da Igreja (cf. EG 15). Em segundo lugar, se desdobra em projetos e âmbitos que dependem de contextos e circunstâncias específicas (AG 6). 
Olhando para o mundo de hoje, à luz do magistério da Igreja, optamos pela distinção de três âmbitos essenciais de missão que requerem tarefas específicas. 
a) a pastoral, que tem como interlocutores os cristãos e as comunidades eclesiais constituídas. Quanto à tarefa, estamos no campo da animação pastoral da comunidade cristã: trata-se de animar “pelo fogo do Espírito, a fim de incendiar os corações dos fiéis que frequentam regularmente a comunidade, reunindo-se no dia do Senhor para se alimentar da sua Palavra e do Pão de vida eterna” (Bento XVI). O objetivo essencial desta tarefa é formar a comunidade eclesial como sujeito vivo da ação missionária, para que seja fermento no mundo, começando por evangelizar a si mesma (cf. EN 15) e dando extensão e vigor à própria evangelização (cf. DP 364). A comunidade representa a grande proposta que a Igreja faz ao mundo com sua missão. A salvação não passa pela simples distribuição de sacramentos, mas pela resposta a um chamado de discipulado missionário que se realiza numa intensa vida de fraternidade. A vida cristã deve, antes de tudo, ser saboreada na participação a pequenos núcleos fraternos, que têm como objetivo um compromisso missionário e que formam uma assembleia junto às outras comunidades na celebração da Eucaristia. Desta maneira a paróquia se torna “uma rede de comunidades” (DAp 172).
b) a nova evangelização, com os cristãos que estão afastados da vida da comunidade, como também os que não creem em Cristo na sociedade secularizada (cf. DAp 168; 362; 551; cf. RMi 37). Nesse âmbito, a tarefa é a ação evangelizadora da comunidade na sociedade como “sinal mais claro da maturidade da fé” (RMi 49): trata-se de passar “de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária” (DAp 370); de uma pastoral de socialização cristã espontânea a uma pastoral de iniciação cristã; de uma pastoral de acolhida daqueles que estão na Igreja a uma pastoral do ir ao encontro de quantos não conhecem, recusam ou são indiferentes à mensagem evangélica; de uma pastoral de afirmação da doutrina e da prática sacramental a uma pastoral inculturada capaz de contextualizar os conteúdos da fé (cf. EG 116); de uma pastoral da eficiência e da organização a uma pastoral de acompanhamento e de escuta (cf. EG 46; 82; 171). A tomada de consciência da missionariedade deve proporcionar um processo de saída: não podemos esperar que as pessoas venham a nós, precisamos ir ao encontro delas e anunciar-lhes a Boa Nova onde se encontram. Esse processo se expressa numa prática eclesial focada no “primeiro anúncio” (cf. EG 164), realizada por todo o Povo de Deus (cf. EG 114), na autêntica opção pelos pobres (cf. EG 198) e na saída para as periferias (cf.EG 30)
c) a missão ad gentes, que tem como interlocutores aqueles que não conhecem Jesus Cristo no meio de outros povos e sociedades, onde a presença da Igreja não está suficientemente estruturada (cf. RMi 33; EG 14). A terceira linha de ação essencial para uma Igreja em estado permanente de missão é a cooperação missionária e a tarefa diz respeito à missão ad gentes, a todos os povos. Trata-se da participação de cada Igreja local na missão universal, e da fundamental solidariedade de cada comunidade com os outros povos e com as outras igrejas espalhadas pelo mundo afora: “o Evangelho possui um critério de totalidade que lhe é intrínseco: não cessa de ser Boa Nova enquanto não for anunciado a todos” (EG 237). De forma alguma a missão e a pertença eclesial podem ser pensadas somente dentro de perímetros paroquiais, diocesanos e nacionais: “seria um erro deixar de promover a atividade evangelizadora fora do Continente com o pretexto de que ainda há muito para fazer na América” (EAm 74). A universalidade é a alma da missão e do seguimento discipular, pois a Igreja foi constituída como “sacramento universal de salvação” (LG 48; AG 1), 
Sobre esse último âmbito é dever lembrar que: “sem a missão ad gentes, a própria dimensão missionária da Igreja ficaria privada de seu significado fundamental e de seu exemplo de atuação”, e por isso “é preciso evitar que (...) se torne uma realidade diluída na missão global de todo povo de Deus, ficando, desse modo, descurada ou esquecida” (RMi 34).
É de suma importância compreender estas três linhas de ação como intimamente interconexas. 
Para conversar:
1. Quanto por cento dos nossos recursos humanos e materiais são destinados para cada uma desses âmbitos: pastoral, nova evangelização e missão ad gentes (aos povos)?

2. De que maneira a missão ad gentes pode se tornar parte essencial da pastoral ordinária?

Pe. Jaime Carlos Patias, IMC, Pontifícia União Missionária. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

DESAFIOS DA COOPERAÇÃO E ANIMAÇÃO MISSIONÁRIA NA IGREJA NO BRASIL
Pe. Jaime Carlos Patias, IMC, secretário nacional da Pontifícia União Missionária.
Reflexões a partir das orientações para a animação missionária da Igreja no Brasil elaborado pelo Comina. Documento: Missão e Cooperação Missionária 
1. A nossa vida é Missão
Os desafios e provocações da animação missionária na Igreja no Brasil partem justamente da teologia e da espiritualidade da missão. Daí a necessidade de recuperar as motivações para um trabalho de animação. Sem compreender a fonte de onde tiramos “a água para saciar a sede da humanidade” não conseguiremos dar respostas significativas para a animação e cooperação missionária.
As orientações para a animação missionária da Igreja no Brasil, partem do mandato de Jesus. “Ide, portanto, e fazei que todas as nações se tornem discípulas, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinando-as a observar tudo quanto vos ordenei” (Mt 28,19-20a). Com essas palavras o Ressuscitado dirige-se a seus discípulos (cf. Mt 28,10) confiando-lhes não apenas uma tarefa, mas uma identidade messiânica (cf. LG 9b) que os projetava além de si, no anúncio, no serviço e no testemunho do Reino de Deus ao mundo inteiro. O Concílio Vaticano II definiu “a Igreja peregrina” como “missionária por natureza” (AG 2): essa é sua vocação própria, sua identidade mais profunda (cf. EN 14), sua razão de ser, sua essência estruturante e seu serviço à humanidade (cf. DP 1145; RMi 2). Portanto, a Igreja é chamada a estar “em saída” como o seu Senhor que “sabe ir à frente, sabe tomar iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos” (EG 24). Dizer Igreja é dizer missão: “a Igreja nasce da missão e existe para a missão: existe para os outros e precisa ir a todos” (DGAE 2011, 76). Essa vocação da Igreja deve ser assumida pelos seus discípulos missionários (Povo de Deus) em todas as comunidades e ministérios. 
O primeiro desafio para a animação e cooperação missionária é, portanto, compreender que a missão não é tarefa apenas para alguns especialistas, mas faz parte da identidade e natureza da vida cristã. A animação é elemento primordial da ação ordinária das Igrejas locais para que efetivamente sejam missionárias (cf. RM, 83). Conforme nos lembra o papa Francisco, “a missionariedade não é somente uma dimensão programática na vida cristã, mas também uma dimensão paradigmática que diz respeito a todos os aspectos da vida cristã” (Mensagem para o Dia Mundial das Missões 2013). Não dá para ser cristão sem a missão, pois a nossa vida é missão e essa dimensão deve contagiar e animar a todos. Ou somos missionários ou não somos católicos. 
2. O Espírito Santo, protagonista da animação
Toda a história da Salvação é marcada pela ação criadora do Espírito de Deus. A mesma força permeia toda a vida e ação de Jesus, desde o anúncio do nascimento até a morte e ressurreição. No momento de retornar ao Pai, Jesus promete aos seus discípulos o dom do Espírito para que permanecesse sempre com eles (cf. Jo 14, 15-16). Encontramos o mesmo Espírito agindo no começo da primeira comunidade cristã no dia de Pentecostes (cf. At 2, 1-12) e que, com Jesus Ressuscitado, enviará os discípulos a proclamar a Boa Nova do Reino até os confins do mundo (cf. Mc 6,7; Mt 28, 19-20). Esse mesmo protagonismo do Espírito Santo é também a alma de toda a animação missionária nas nossas comunidades cristãs. 
Embora intimamente ligadas, precisamos fazer uma distinção entre ação missionária e animação missionária. O trabalho realizado pelos missionários e missionárias nos diversos campos e dimensões da missão, em especial além-fronteiras faz parte da ação missionária da Igreja. Ao passo que, as atividades dentro das comunidades cristãs destinadas a despertar e motivar os cristãos e suas comunidades a assumirem sua vocação missionária universal, com projetos concretos de solidariedade e cooperação constitui animação missionária. 
Dessa distinção surge um segundo desafio: a capacidade de articular animação missionária com ação missionária. Os melhores animadores são os missionários e missionárias além-fronteiras enviados pelas comunidades que deveriam sentir-se parte de sua missão. Ao mesmo tempo, o testemunho dos missionários deveria servir de inspiração para animar as comunidades locais. Em geral, as comunidades e paróquias não sabem quem são, nem onde estão seus missionários. Estes, por sua vez, vivem sua missão sem interagir com suas comunidades de origem. A comunicação entre as partes deixa a desejar. Não dá para animar sem comunicar realidades, contextos, reflexões, notícias, testemunhos vindos das missões. Daí a importância da comunicação missionária. 
3. O que é então animação e cooperação missionária?
É toda a atividade na Igreja que tem por finalidade criar, desenvolver e manter viva no povo de Deus a consciência missionária, de modo particular, sobre a dimensão universal da missão. Na sua essência, “animação” significa exatamente comunicar vida, espírito, alegria, vitalidade, abertura, entusiasmo para colocar a Igreja em estado permanente de missão. 
Eis um terceiro desafio: animar não significa somente realizar muitas iniciativas, eventos, shows midiáticos característicos da sociedade do espetáculo. Acima de tudo, animar missionariamente significa formar uma mentalidade, criar uma mística, uma espiritualidade missionária onde a vida se torne missão. Trata-se de criar uma mentalidade que se transforma em hábitos permanente nas pessoas, instituições e comunidades. O ardor missionário, fruto dessa mística e espiritualidade se faz opção de vida que é manifestada no amor de Deus anunciado e vivido nas periferias existenciais e geográficas até os confins do mundo. Um cristão ou comunidade cristã animada missionariamente assume a missão universal como responsabilidade e nutre o desejo permanente de partilhar sua fé. 
Podemos dizer que mística e animação missionária são inseparáveis. O desânimo, a indiferença, o fechamento e a falta de entusiasmo pela missão é resultado duma crise de mística, de espiritualidade missionária. Em suma, animar é convocar para um novo reencantamento missionário, uma “nova primavera da missão”.
4. Tarefas da animação e cooperação missionária
O quarto desafio diz respeito às tarefas da animação e cooperação missionária. Podemos destacar cinco delas: informação, formação, animação, cooperação e articulação. 
Os objetivos principais dessas tarefas são apresentar a realidade da missão em suas dimensões em especial a missão ad gentes, conscientizar o povo da sua responsabilidade missionária, informar e refletir sobre as grandes questões da humanidade nos vários povos e culturas, propor a vocação missionária, promover um estilo de vida profético e evangélico, promover a cooperação espiritual, pessoal e material em favor das missões, rezar pelos missionários e missionárias e suas obras, divulgar a comunicação missionária.
A animação missionária deve permear todo o Plano Pastoral de uma Igreja particular e projetos congregacionais. Ela não se reduz a iniciativas ocasionais e dispersas, porém existem alguns momentos que são mais oportunos para a conscientização, como por exemplo, a vivência do Mês das Missões com a Campanha Missionária, os congressos missionários, as assembleias e Encontros, grupos e organismos missionários, projetos missionários da Igreja, datas comemorativas e padroeiros das congregações, jubileus, ordenações e consagração religiosa.
5. Animação missionária articulada em rede
O quinto desafio é trabalhar de forma organizada e articulada em rede, na qual além da Igreja local deveriam participar também as congregações de Vida Consagrada e as sociedades de vida apostólica. A Congregação para a Evangelização dos Povos é o organismo central encarregado, por mandato pontifício, de dirigir e coordenar as atividades no âmbito universal. Entretanto, no trabalho específico de animação e de cooperação missionária, nas Igrejas locais, atuam as Pontifícias Obras Missionárias (POM). Existem também, na Igreja local, organismos ligados à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a saber: a Comissão Episcopal para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial, junto com a Comissão Episcopal para a Amazônia e a Comissão Episcopal para a Missão Continental. Temos ainda as nossas congregações de vida consagrada e as sociedades de vida apostólica, com carisma especificamente ad gentes e suas articulações junto à Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), o Centro Cultural Missionário (CCM), o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a Pastoral dos Brasileiros no Exterior (PBE), as associações missionárias leigas, os padres Fidei Donum, as novas comunidades e os grupos de animadores missionários. 
Para alcançar uma maior unidade e eficácia operativa na articulação, animação e cooperação, e para evitar concorrências e paralelismos, a CNBB constitui em 1972, o Conselho Missionário Nacional (Comina). De forma análoga ao Comina, foram criados também os Conselhos Missionários Regionais (Comires) e o Conselho Missionário Diocesano (Comidi). As paróquias também são chamadas a formar o próprio Conselho Missionário Paroquial (Comipa). Enfim, estão surgindo os Conselhos Missionários de Seminaristas (Comises) em muitas casas de formação presbiteral com o objetivo de garantir uma formação missionária nos candidatos ao ministério ordenado. 
Todos esses organismos parecem não contar na vida e atividades de muitas igrejas locais e congregações religiosas e missionárias, que normalmente trabalham de forma isolada cada qual com seus projetos. O grande desafio, portanto, é somar forças com os organismos de animação e cooperação missionária atuantes na Igreja local e, acima de tudo, contribuir com o seu carisma específico para enriquecer e animar as comunidades cristãs num trabalho articulado em rede. 
Para conversar:
1. Como enfrentar positivamente os desafios da cooperação e animação missionária na Igreja local?

2. Quais compromissos vamos assumir para colocar em prática o que acabamos de refletir?

Pe. Jaime Carlos Patias, IMC, secretário nacional da Pontifícia União Missionária.
Email: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

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